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Castro Marim - O ciclo do linho

A rua das casinhas brancas desemboca num pequeno largo. Ai, desenrola-se um quadro intemporal. O ciclo do linho ainda vive na aldeia de Furnazinhas, Algarve. Há mãos calejadas, há um burburinho de instrumentos rudimentares; há um frenesim no ar. Hoje o lugar vibra com a chegada de visitantes. As conversas da gente de Furnazinhas vão ser escutadas por ouvidos que haverão de traduzir, mais tarde, em palavras, como ainda se faz o linho neste Algarve. Na primeira pessoa, aqui, os vários processos pela qual a matéria-prima tem de passar até chegar à última fase que é o tear onde se converte numa bela peça de linho.

Café Portugal | sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

Nos meses de Março e Abril as terras são adubadas e previamente preparadas, pois têm lugar as sementeiras do linho. Ao longo de aproximadamente cem dias a planta vinga e, quando adquire um tom dourado, maduro, é colhida pela raiz. Fazem-se então pequenos molhos. E o linho segue para a fase da ripagem, a separação da baganha (separação das sementes que vão servir para a próxima sementeira). A planta, depois de seca ao sol, passa com pancadas verticais por um instrumento com pregos, o ripo. As cápsulas, rijas, saltam. Estão fora do processo seguinte. Os molhos, esses, seguem «viagem». Um caminho ainda longo. Muito ainda há a fazer para atingir o produto final. Vamos, então, dar a palavra a quem entende destes labores.
                                        

Falamos com Manuel Pereira Gomes, reformado da Guarda Republicana, que encontramos no largo na aldeia de Furnazinhas, concelho de Castro Marim. O artesão explica ao Café Portugal que «o linho é metido dentro de água e tem de lá estar oito dias. Ao fim desse tempo tiramo-lo e pomo-lo a enxugar, depois é que está pronto para trabalhar». Os molhos são secos ao sol para evitar o aparecimento de bolor.

O malhador

O antigo guarda, pele curtida do sol e rugas profundas, marcas de vida, de conhecimento, fala com desenvoltura do restante processo. Enquanto «malha» no linho explica: «primeiro é aqui amaçado. É todo bem batido, é emparelhado e gramado mais ou menos meia hora». A maçagem serve para separar a parte lenhosa da parte têxtil. É um trabalho que exige bastante força manual.


A Fiadeira
Antónia Rosa completa mais uma etapa do ciclo. Munida de fuso e roca vai humedecendo o fio para facilitar o torcer do linho. De olhar fito longe, a fiadeira vai lamentando que não haja gente nova para aprender o ofício e acrescenta que «fiar não é trabalho difícil de fazer e até é fácil de aprender». Antónia Rosa, ela própria, «quando pequena já ia apanhar os restos no chão onde os homens estavam gramando, que a gente sacudia e fiava para aprender» recorda, arranjando uma expressão que lhe suaviza por momentos as marcas do tempo cavadas no rosto. No decorrer da conversa com o Café Portugal, a fiadeira vai explicando que «levo muito tempo a fiar o que tem que passar por muitas ‘bandas’ até chegar a fazer o linho.»

Não muito longe está Dionísia. Traja de preto. Afirma trabalhar com o linho há 70 anos. Vai descrevendo, enquanto move velozmente as mãos: «agora estou a sarilhar». Depois de fiado, o linho vai para o «sarilho». Transforma-se as «maçarocas» em meadas que são colocadas num cortiço. Cinzas e água a ferver, durante três dias, são a fórmula para que o linho fique completamente branco. É em novelos que a matéria-prima trabalhada à vontade do Homem segue para os teares, e ganha finalmente forma.


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