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Lisboa - Arte popular ganha vida nos «Santos Ofícios» na Baixa Pombalina

No número 87 da Rua da Madalena, na Baixa lisboeta, respira-se a antiga tradição dos ofícios portugueses. No espaço que acolhe a loja «Santos Ofícios», outrora uma cavalariça, é possível percorrer todo o país através dos artefactos. A mostra faz-se com uma multiplicidade de materiais: madeira, lã, cortiça, cerâmica, azulejo, ráfia, barro, pedra, vime. Homero Cardoso, um dos fundadores e sócio da loja garante que só trabalham com peças «feitas à mão e sem recurso a gessos ou a coisas industrializadas».

Ana Clara | sexta-feira, 29 de Abril de 2011

Homero Cardoso faz questão de começar a conversa pela história do edifício onde hoje se situa o projecto «Santos Ofícios», mandado construir pelo Conde de Soure, poucos anos depois do terramoto de 1755 sobre os escombros da Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Freire.

«Quando cá chegamos (em 1995) era uma cavalariça antiga de transportes e o tecto estava lastimável. E no trabalho de requalificação realizado, ficaram a descoberto arcos com tijoleira antiga que desenham uma cruz em tijolo burro que ainda hoje cá está inscrita», explica, com orgulho.

A marca das mãos artesanais está presente em toda a loja que nasceu para «não deixar morrer as tradições ancestrais». Desde as máscaras de Trás-os-Montes a objectos que retratam a vida do país, fanfarras, figuras de presépio, lenços de namorados, objectos feitos a partir das latas de conservas, ou os diabos do ceramista de Barcelos, o Mistério.

«São, sobretudo, trabalhos feitos à mão nos mais diversos materiais», conta o responsável do espaço, seja em pedra, barro, madeira, lã, cerâmica, latoaria, algodão ou cortiça.

A loja segue, segundo o gerente, uma construção de exposição que «alterna cor com não cor e diversos materiais. Temos uma exposição por artistas. Aqui não misturamos os galos de vários sítios.

A loja abre com peças de Júlia Ramalho (reconhecida artesã do figurado de Barcelos, e uma referência do artesanato, em Portugal e no estrangeiro) que para nós é uma artista popular de enorme importância para o nosso país», salienta, adiantando que a loja dispõe também da louça azul de Barcelos, feita por um oleiro local.

«Temos também a louça preta tradicional de Bisalhães, em Vila Real, é uma arte oleira ancestral bem como as máscaras de Trás-os-Montes», afirma.

Homero Cardoso realça, ainda, os conhecidos lenços de namorados, expostos numa vitrina ao fundo da loja, que, sublinha, «seguem, infelizmente, um processo «desagradável como aconteceu com os tapetes de Arraiolos»: «são feitos em todo o lado, no Paquistão, na Índia e na China. E é triste ver como muitas pessoas não sabem distingui-los. Aqui, temos os autênticos, de Vila Verde».

A experiência de Norte a Sul:
Já lá vão 16 anos desde que a «Santos Ofícios» abriu as portas na Rua da Madalena. Homero Cardoso recorda o dia da inauguração como se fosse hoje: «Os mentores deste projecto, incluindo eu próprio, tínhamos a experiência das viagens que fizemos de Norte a Sul do país, aldeias e lugares esquecidos, onde conhecemos inúmeros artesãos, muitos deles desconhecidos».

E recorda: «Não encontramos só os conceituados, como o caso das irmãs Flores de Estremoz, ou dos descendentes de Rosa Ramalho, Ana Baraça e Mistério, mas também aqueles que, por não terem saído das suas aldeias, eram até então praticamente desconhecidos». Casos como os de João Ortega, Guilhermina, António Pires, João Esteves, José Vaz, entre outros.

Explica que o conceito desta casa passa pela «mostra e venda de arte popular portuguesa. Não temos de tudo porque o espaço não permite ter muitas quantidades e também a actividade em si, do ponto de vista da sua rentabilidade, não dá para apostas mais arriscadas», salienta, acrescentando que, «de quando em vez vão modificando e alterando a presença dos artesãos, com a exposição dos seus trabalhos, no espaço».

E há um critério que faz questão de vincar: «temos aqui arte popular portuguesa de qualidade, não recorremos a gessos ou a artigos industrializados, basicamente aquilo a que chamamos souvenirs».

Homero Cardoso considera que «o país tem uma riqueza de arte popular muito grande, infelizmente não reconhecida em Portugal» e diz que há «um preconceito em relação à arte popular, sobretudo por parte de uma certa elite que não atribui a importância devida a este tipo de cultura, porque acham que é artesanato».

Por fim, explica que o público da casa é maioritariamente português e «alguns coleccionadores ligados à cultura. As nossas vendas aqui não são muito massificadas. Até pela dimensão do nosso espaço mas tencionamos manter-nos com os clientes fiéis que já nos conhecem há anos e valorizam o nosso trabalho», remata.



  
Comentários Comentários (1)
terça-feira, 11 de Dezembro de 2012 | Customer
Worst store. Does not keep their word. Had product shipped from them and it was damaged. They told me it was my problem and that was it. I would never shop at this store and I hope none one does.
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