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Castelo Branco - Licenciatura em guitarra portuguesa quer «formar para manter a tradição»

Pelos corredores da Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART), do Instituto Politécnico de Castelo Branco, ouve-se, desde há quatro anos, a guitarra portuguesa. No estabelecimento há uma licenciatura em música que ensina a técnica daquele instrumento musical. Luísa Correia, coordenadora do curso, e Custódio Castelo, fadista e professor na instituição, falam da do curso e da sua valorização ao nível do estudo académico.

Ana Clara | sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

A variante de Guitarra Portuguesa na ESART existe desde o ano lectivo 2008/2009. Uma história que começa quando, em Castelo Branco, um grupo de professores «teve um sonho e resolveu concretizá-lo», conta Luísa Correia, coordenadora do curso, acrescentando que, desde logo, «tiveram o apoio de direcção, sendo possível realizar o objectivo a que se propunham».

A responsável explica que o plano de estudos conta com aulas teóricas, teórico-práticas e práticas, música de conjunto e aulas individuais onde «com o professor de instrumento se trabalha a sua especificidade».

Também o director da ESART, José Filomeno Raimundo, reforça a mesma ideia, acrescentando que há um enfoque nas técnicas de mestres da guitarra portuguesa, «onde misturam não só as raízes tradicionais do fado mas também a música erudita».

Luísa Correia explica que o curso «tem sido bastante procurado», principalmente por alunos mais velhos, «uma vez que há pouca oferta a nível do ensino secundário».

O perfil das pessoas que procuram o curso incide essencialmente em alunos que, em geral, «já estavam ligados ao Fado e que queriam aprofundar os seus conhecimentos».

Para Luísa Correia, o reconhecimento do Fado como Património Cultural Imaterial da Humanidade, oficialmente consagrado em Novembro de 2011, «trouxe uma maior notoriedade e consideração para o estudo da guitarra a nível académico».

Custódio Castelo, com 25 anos de carreira e prémio Amália da Guitarra Portuguesa, é o responsável pelo programa do curso de Guitarra Portuguesa na ESART.

E explica a sua importância: «é para mim e para os portugueses um motivo de grande orgulho leccionar nesta escola, sobretudo a partir do momento em que, há três anos, foi reconhecido oficialmente como primeiro curso superior de Guitarra Portuguesa».

«O nosso princípio passa por, para além de criar a melhor estrutura de ensino para os alunos, ter a preocupação de evoluir constantemente na mesma», salienta.

«Ponte cultural através dos guitarristas»:
Do Porto ao Algarve, há alunos de vários pontos do país, como frisa Custódio Castelo. E apesar de serem apenas oito os alunos a frequentar actualmente o curso, «a verdade é que a ESART tem tido a preocupação de continuar a abrir as portas para que este curso seja o mais completo possível, admitindo, assim, a chegada da Viola de acompanhamento leccionada por Carlos Garcia, que desenvolve a prática de acompanhamento da guitarra portuguesa assim como o conhecimento prático de fados tradicionais».

O fadista realça ainda que outro objectivo passa por «fazer uma ponte cultural através dos guitarristas mais conhecidos, buscando em cada um deles um pouco do que criaram e desenvolveram a sós...».

«A eles também presto a devida homenagem e agradecimento, ficando assim defendido oficialmente uma pequena parte desta tradição tão nobre que tanto contribuiu para o reconhecimento do agora Património Cultural Imaterial da Humanidade».

Por fim, garante que «este curso é apenas o arranque do muito que temos a fazer neste sector Cultural, mas tenho a certeza que a partir de agora teremos pessoas formadas para defender esta tradição, para que continue a evoluir e deixe seus frutos eternamente».

  

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