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FITUR - Fado toca em Madrid pelas mãos de dois jovens executantes

Em Madrid, até ao próximo dia 22 de Janeiro, faz-se silêncio na Feira Internacional de Turismo (FITUR) para se ouvir tocar o fado. Na «ilha» dedicada à música portuguesa e à classificação do fado como Património Imaterial da Humanidade (UNESCO) estão dois jovens executantes. João Veiga, à viola e Bernardo Romão, guitarra.

Café Portugal | quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

O cenário da «ilha» dedicada ao fado na FITUR (stand de Portugal) monta-se em poucos metros quadrados. Mesa e cadeiras em madeira, recordando antigas casas de fado. Um velhinho aparelho de rádio. Guitarras portuguesas, a reprodução de três dezenas de cartazes com algumas décadas alusivos a espectáculos e executantes. Num dos cartazes anuncia-se uma «Noite Marialva» no distante verão de 1950. O cartaz promete as vozes de Maria Proença e Joaquim Cordeiro.

Amália Rodrigues, Aldina Duarte, Cristina Branco, Mafalda Arnauth, Alfredo Marceneiro, Ana Moura, entre outros nomes do fado povoam um painel de imagens que serve de fundo à «ilha». É com este enquadramento que conversamos com João Veiga e Bernardo Romão, ambos com 22 anos. Percursos ainda frescos na viola e guitarra que não retiram a estes dois jovens talento na execução e ideias marcadas sobre o que é hoje a canção «oficial» portuguesa.

João, filho do guitarrista João Mário Veiga, toca desde 2007. «Aprendi a gostar do fado em casa. Aliás, a regra de ouro sempre foi: ‘Quando se toca o fado faz-se silêncio’. Numa casa repleta de guitarras, naturalmente acabei por começar a tocar». João fez percurso na escola de música do Conservatório. Bases musicais num instrumento diverso daquele que toca actualmente. «Toquei bateria três anos. Depois estudei mais um ano guitarra e, mais tarde, passei um ano pelo Hot Clube Portugal, ai na área do jazz».

Bernardo que toca guitarra, refere que «comecei a tocar viola em miúdo, embora não fosse um grande executante. Curiosamente sempre tive verdadeira paixão pela guitarra portuguesa. Com 18 anos comecei a tocar este instrumento. Frequento as aulas do Paulo Parreira (filho do guitarrista António Parreira)».

João e Bernardo confessam fazer muito «trabalho de casa». «Estudamos, pesquisamos, para aprofundar e saber mais sobre o fado. Procuramos edições antigas, muitas vezes em vinil, nas feiras». Os dois jovens lamentam muita discografia que anda «perdida», por falta de reedição.

«As editoras fazem muito marketing em torno da imagem de alguns intérpretes actuais com prejuízo para a promoção da história do fado», referem.
Entre as referências do mundo do fado para estes jovens executantes estão «Carlos Zel, Amália Rodrigues, Pedro Leal, Fontes Rocha, Paulo Parreira, Ricardo Rocha».

Os dois jovens recordam também grandes construtores de guitarras. «Não nos podemos esquecer de Gilberto Garcia e da família Cardoso há muito ligadas à construção de boas guitarras. Infelizmente vão sendo cada vez menos os artesãos».

Quem quiser escutar a viola e guitarra de João e Bernardo pode fazê-lo ao sábado no restaurante Amnésia (Algés) e na Casa da Mariquinhas (Lisboa). Uma paixão pelo fado que João e Bernardo transpõem para uma tertúlia com outros jovens no encontro «Fados com Tradição». Os dois executantes alimentam, ainda, um espaço na internet, o «Cordas do Fado».
«O fado é para nós, acima de tudo, diversão. Ou seja, encaramos com muita seriedade, mas tiramos do convívio entre pessoas que partilham esta mesma paixão, muito prazer», concluem João e Bernardo.
 

  
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