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Alentejo e Algarve - Potenciar os recursos silvestres

Os Cogumelos silvestres que nascem espontaneamente no Alentejo e Serra algarvia são apenas um dos muitos recursos que vão ser potenciados através de um consórcio que vai, ainda, fomentar o turismo no território. O projecto, resultado de uma candidatura ao PROVERE, junta na região 97 parceiros. Na mira está a criação de 523 postos de trabalho. A Coordenadora do Gabinete de Extensão Rural e Ambiente, Marta Cortegano, da Associação de Defesa do Património de Mértola, um dos parceiros do projecto, explica como vão ser aproveitados e transformados o medronho, o mel, as ervas aromáticas do Alentejo e Serra Algarvia.

Carla Santos | quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Café Portugal - Os recursos silvestres do Alentejo e Serra algarvia vão ser potenciados através do vosso projecto que reúne 97 parceiros. Como se atinge uma tal participação?
Marta Cortegano
-O projecto que envolve o Centro de Excelência para a Valorização dos Recursos Silvestres Mediterrânicos (CERMED) surge de um trabalho que já estava a ser desenvolvido na região. Com o aparecimento das estratégias de eficiência colectiva começámos a identificar uma oportunidade para irmos um pouco mais longe, uma vez que já estava identificado e inventariado, por exemplo, o território e a percepção da sua capacidade para suportar os recursos silvestres. Juntaram-se aos actores iniciais do projecto outros parceiros privados e públicos, associações de desenvolvimento local e entidades de investigação de maneira a concertar uma estratégia para o território, baseada nessa valorização dos recursos silvestres.

C.P- Após essa avaliação e junção de parceiros o projecto culmina então na criação do Centro de Excelência para a Valorização dos Recursos Silvestres Mediterrânicos (CERMED). Pode-nos explicar?
M.C
- Dentro da concepção daquilo que são os “PROVERES”, estratégias de eficiência colectiva, tem que existir um projecto âncora que, depois, será capaz de alavancar um conjunto de investimentos na região. A produção, transformação e a comercialização deste tipo de recursos do território apresentava muitas carências. É necessária uma infra-estrutura de apoio no fomento que referi. Nasce, então, a ideia de criar o CERMED. O centro vai ser a entidade que irá trabalhar ao nível da investigação na obtenção de produção, conservação e transformação deste tipo de recursos e, por sua vez, fazer a transferência de conhecimento para quem quiser usufruir destes conhecimentos a nível da investigação que muitas vezes não chegam até ao produtor. Pretendemos dar apoio na formação, apoio ao associativismo e implementar uma componente muito importante: a concentração da oferta. Existem iniciativas muito interessantes mas isoladas, sem capacidade para chegar a mercados externos. No fundo o CERMED vem colmatar todas aquelas lacunas que existem e poderiam bloquear a estratégia arquitectada.

C.P-Há uma estimativa do número de produtores que usam esses recursos actualmente?
A.C-
Não há um número certo dos produtores, uma vez que o projecto envolve toda a fileira, desde a produção, a transformação e comercialização. Dentro desta estratégia estão previstos 140 projectos num total de 97 parceiros que fazem parte desta rede. Assim que este consórcio foi aprovado várias outras entidades vieram ter connosco e mostraram vontade de fazer parte do projecto. Esta iniciativa tem como objectivo incentivar produtores, e não só, a juntarem-se ao processo.

C.P-Os recursos endógenos que serão trabalhados pelo projecto passam, entre outros, pelo medronho, mel, cogumelos. De que forma pretendem potenciar estes produtos?
M.C
- Estamos a falar daqueles produtos que já tem algum aproveitamento aqui na região e com um potencial mas que não têm sido muito utilizados. Posso citar, como exemplo, os cogumelos silvestres (tentamos também incentivar a sua produção), as plantas aromáticas e medicinais e todas as suas transformações (seja para obtenção de sais, condimentos, óleos essenciais); a questão do medronho e a sua utilização enquanto fruto na aguardente, mas também outras possíveis utilizações na doçaria e floricultura. Estamos a falar daqueles recursos silvestres que existem espontaneamente e que, por isso, têm um potencial elevado, até mesmo para serem produzidos.

C.P-Em relação à concretização do projecto, já há uma previsão para a construção do centro e do número de postos de trabalho criados?
M.C-
O centro terá sede em Almodôvar e provavelmente daqui a um ano já estará a funcionar. Engloba vários concelhos do interior do Alentejo e da serra Algarvia. O projecto é composto pela componente de investigação, produção, formação e prestação de serviços. Vai permitir a criação de 323 postos de trabalho e manutenção de 200 postos, um total de 523 pessoas envolvidas. Mais de 50% dos postos de trabalho criados serão para mulheres, com idades entre os 25 e 40 anos.

C.P-A utilização dos recursos silvestres para a transformação e comercialização poderá criar um nicho de mercado turístico? Existem projectos na rede ligados à área do turismo?
M.C-
Temos, de facto, vários projectos ligados à questão do turismo com a componente transversal, ou seja, o turismo e a gastronomia estão muitas vezes ligados a esse tipo de recursos. Poderá originar produtos gourmet e de qualidade. É também fomentado o modo de produção biológico. As pessoas vão muitas vezes aos territórios rurais à procura desse tipo de produtos. Neste sentido fazem parte da estratégia uma série de projectos relacionados com o turismo, apesar de darmos sempre preferência quando há, de facto, esse cruzamento directo entre actividades e animação. Há um total de 36 projectos na área do turismo.

  
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