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Rota do Românico - Projecto de desenvolvimento traz «orgulho» à terra

O estilo românico está presente em igrejas, mosteiros, torres defensivas que contam a história da fundação da nação. Junta-se a este património, a paisagem, os sabores, as artes. Realidades do Vale do Sousa e Tâmega, agregadas na Rota do Românico. Para os promotores desta iniciativa, que visa o desenvolvimento local, uma das grandes conquistas é a mudança de mentalidades: «as pessoas descobriram a beleza do território. Há 14 anos, a imagem era negativa e desinteresse».

Sara Pelicano; fotos - Rota do Românico | quarta-feira, 21 de Março de 2012

A paisagem é de vales e montanhas, onde ecoa o som da água que corre nos rios. Na região do Vale de Sousa e Tâmega, à paisagem natural, junta-se um património cultural que conta a história da fundação da nacionalidade. «O românico foi introduzido em Portugal numa fase adiantada do século XI, por acção do Conde D. Henrique e da sua Corte», explica a Rota do Românico, um projecto desenvolvido nas regiões do Vale de Sousa e Tâmega, onde um vasto património edificado, como igrejas, mosteiros, torres defensivas, revelam esse período da história «muito relacionado com a organização eclesiástica diocesana e paroquial e com os mosteiros das várias ordens monásticas, fundados ou reconstruídos nos séculos XII e XIII».

 «A Rota do Românico nasce em 1998 [nesta data era designado Rota do Românico do Vale do Sousa] no seio da Associação de Municípios do Vale do Sousa, ou seja, municípios de Castelo de Paiva, Felgueiras, Lousada, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel. Os primeiros dez anos foram essencialmente de conservação, criação de uma imagem, implementação de comunicação, sinalética. Em 2008, foi então apresentado aos agentes locais e público. Desde desta data temos tido um crescimento sustentado. No ano passado registamos 30 mil visitantes», explica Rosário Machado, directora da Rota do Românico. 

Para 2012, o desafio é fazer crescer o número de visitante em 60%. Para o efeito, «este ano vamos fazer uma campanha muito direccionada para o mercado interno, com pacotes para as famílias, ligação a Guimarães, Capital Europeia da Cultura, cidade nossa vizinha», explica.

Em 2010, a rota foi alargada e integrou o Tâmega, ou seja, os municípios de Amarante, Baião, Celorico de Basto, Cinfães, Marco de Canaveses e Resende. É neste ano que deixa cair do nome a designação Vale do Sousa e passa a ser apenas Rota do Românico.

A iniciativa está agora pronta a ser vendida por operadores turísticos através de pacotes que além da descoberta do património românico, conduzem o turista pelo mundo da azulejaria, permitindo que se pinte um azulejo; noutros sugere-se uma experiência gastronómica, saboreando a carne de capão após uma visita ao Mosteiro de São Pedro de Ferreira; há oficinas para aprender a fazer compotas, ou simplesmente uma descoberta pelo património edificado e natural.
A oferta que a Rota faz-se com um roteiro em torno da «Gastronomia, Vinhos e Produtos Regionais» para saborear «os tentadores paladares regionais, dos peixes do rio às carnes suculentas ou à doçaria conventual»; depois da gastronomia poder-se-á fazer turismo activo, com actividades aquáticas, caminhadas, desportos motorizados; outro dos roteiros organizados na rota dá a conhecer «Outro Património», tal como o «penedo de vegide» ou «pia dos mouros», «duas sepulturas retangulares escavadas no próprio afloramento granítico, de tipologia antropomórfica, de modo relativamente destacado na paisagem e junto a caminhos antigos» e a «Villa Romana de Sendim». Há ainda «saúde e bem-estar» e «paisagem natural», entre outros.

«Temos uma rota estruturada em património arquitectónico estilo românico associado à história do Sousa e Tâmega, no fundo a região do Douro Sul, muito rica em património românico e também em património complementar como museus, figuras artísticas da contemporaneidade, gastronomia», acrescenta Rosário. No total este trabalho, cujo objectivo final é o desenvolvimento sustentável do território, conta com a colaboração a tempo inteiro de 16 pessoas e envolve 12 municípios.

O trabalho de recuperação do património continua a ter uma forte componente neste projecto que já ganhou diversas distinções, como os «Prémios Novo Norte, na categoria “Norte Civitas”, atribuído pela CCDRN – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e pelo Jornal de Notícias e distinção com a Medalha de Mérito Turístico, atribuída pelo Governo português».

O reconhecimento de 14 anos de trabalho em prol da cultura é assim alcançado, mas Rosário sublinha que o grande mérito deste trabalho é «ver como as pessoas começaram a valorizar o seu património, a ter orgulho nele, descobriram a beleza do território. Há 14 anos, a imagem que existia do Vale do Sousa, quer interna quer externa, era negativa e desinteresse», sublinha a directora da Rota do Românico.

Ao trabalho de conservação patrimonial, comunicação do território, a nível interno e externo, a Rota do Património junta uma outra valência: educação pedagógica. «Desenvolvemos um trabalho com as escolas no sentido de alertar para a conservação do ambiente, do território», comenta Rosário.

A auto-suficiência do projecto é uma das áreas, diz Rosário Machado, que está a ser trabalhada. Contudo, «temos uma componente muito pesada ainda de conservação e salvaguarda de património que é do Estado. Neste sentido, até 2014, as verbas que a rota gere provêm da Comissão Europeia, cerca de 15 milhões de euros. Este valor deve ser aplicado na salvaguarda, mas também na promoção interna e externa e o trabalho pedagógico».

 

  
Comentários Comentários (3)
quarta-feira, 21 de Março de 2012 | Idalete Giga
A Rota do Românico.....
Parabéns à Senhora Directora da Rota do Românico - Drª Rosário Machado ! São estas iniciativas que merecem ser divulgadas , apoiadas e acarinhadas. Sim, levar as crianças a admirar e a amar o nosso património artístico é um acto cultural de valor incalculável. ´Temos ainda um longo caminho a percorrer neste campo, sobretudo o de divulgar no mundo os nossos valores culturais - no campo da paisagem natural ou erigida, na Literatura, na Pintura, na Música, na Escultura, etc. Portugal tem um riquíssimo património artístico que não pode ser votado ao abandono e desprezado por políticos incompetentes, saloios, novos ricos - responsáveis pela ausência de uma Política Cultural séria e de um Projecto Nacional que abranja, não apenas uma parte privilegiada, mas todo o País - o País real, não o falseado pelos inimigos da Cultura , a maioria "refastelada" no Parlamento(!). Idalete Giga
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