já passeados Marvão - O mundo mora todo neste lugar
Desta vez, desafiamos a atravessar o rio... para reencontrar, na outra margem, sonoridades de fala e de música que nos são familiares. Cruzando rostos e sentimentos, sondando projectos comuns, passeando memórias e sonhos.
Fica aqui o desafio: venham connosco. Há muito para sentir e descobrir!
Esqueçam todos os lugares comuns que ouviram sobre as gentes de Olivença e partam em busca de respostas.
Contemplem patrimónios de mão portuguesa bem preservados: a Catedral (com a calçada à volta , que mãos de calceteiros de Leiria há uns anos recuperaram), a Torre de Menagem e muralhas do Castelo...
E saibam de marcas portuguesas mais fluidas (bem menos persistentes e mais ameaçadas), de "património imaterial", da música à língua das gentes...
Se não soubéssemos o estado a que chegou o que resta do Castelo de Juromenha (do lado de cá do Guadiana), calcorreando o "casco viejo" de Olivença (desculpem, não conhecemos expressão portuguesa que possa aqui ser aplicada, "centro histórico" não tem a mesma abrangência e sentido..), quase nos convenceríamos ser fácil recuperar e conservar património construído. Porque, bem mais difícil, é manter tudo o que tem a ver com as relações diárias e os hábitos de contacto e de comunicação. Por aquelas bandas isso é bem evidente e lamentado por muitos oliventinos.
Mas é destas e outras descobertas que se vai fazer o fim de semana. Com incursões a Táliga, onde a memória do português já se perdeu, ou a Vila Real, onde ela permanece nos hábitos dos mais velhos - aos mais novo resta a escola... onde é ensinado como primeira língua estrangeira. E vai haver tempo para passear, ver e conversar. E serão necessárias energias suplementares... porque em Olivença a noite não perdoa. Até o antigo Quartel português (bem recuperado e adaptado), e que durante o dia acolhe gestos e diálogos dos mais velhos, à noite transforma-se em bar para fruição dos mais novos. Mas, espaços desses é o que não falta por lá.
Monotonia é coisa com que não terão de se preocupar nesta surtida à margem de lá do Guadiana. Numa Olivença que quer reforçar laços culturais e reatar vivências comuns como modo modo de afirmar a sua diferença e a sua identidade cultural.
Ficamos à vossa espera. Até lá, dêem uma vista de olhos, por esses vídeos com músicas Oliventinas. São de grande qualidade, significado e sentimento. Pena que, do lado de cá do Guadiana, mereçam tão pouca atenção de quem teria obrigação de estar atento a estas coisas: nunca os vimos em televisão e, não fora o Festival "Músicas do Mundo" de Sines, nunca os teríamos visto os ACETRE por cá. É pena! É lamentável!.
Deixe essas "tralhas" dos transportes, alojamentos, refeições... connosco
Tratamos de tudo. E somos bons nisso...!
Os ACETRE são um grupo folk de Olivença que se reivindica do bilinguismo e da biculturalidade.
Aqui, usando uma variante dialectal do português ainda hoje utilizada por alguns oliventinos. Aqui, recriação de dois temas populares: "Pescador da Barquiña" e "Fado Corridiñho".