No encalço de uma flor de amêndoa, pela beira do Sabor, com vistas sobre o vale da Vilariça, artes do ferro e sabores de alheira e posta...20 anos depois... o regresso ao local onde tudo começou: Torre de Moncorvo.
Mas já passaram 20 anos??? Não pode ser... Parece que ainda foi no outro dia. Ali... nas tasquinhas do Festival Nacional de
Gastronomia, à volta de umas alheiras, com o prof. Reis e a sua provocação.
E lá rumámos a Moncorvo... era Abril de 1988. E numa maré de acasos, quase sem que se desse por isso, nasciam os Passeios de Jornalistas.
Em Fevereiro de 2008 foi o tempo de todos os regressos!
Pela fresca da manhã, co
m partida de Lisboa, estrada adentro até Torre de Moncorvo. Coisa para umas cinco horas de autocarro, mais umas duas de paragens e almoço.
Bem longe da jornada de há vinte anos: que agora há autoestrada até à Guarda e as IPs cresceram e alargaram!
Mas sempre a mesma vontade de passear, de ver, de encher a alma de paisagens e sensações.
Apetecia reencontrar Moncorvo, abarcar o Vale da Vilariça com um olhar, espreitar o Sabor, avistar os pombais... Com saudades do Artur dos tempos em que não tinha ementa, com memórias de outras incursões e deslumbramentos.
Sabíamos que o Afonso Praça não iria desfiar conversas e que outros companheiros da anterior aventura também já tinham partido. Mas, se calhar, foi também por isso que nos apeteceu regressar a Moncorvo ao encontro das motivações e das energias que, há vinte anos, nos tinham obrigado a partir para estas viagens à descoberta do Portugal que se faz e constroi longe das autoestradas.
Entre nacionais e estrangeiros, era uma vintena de jornalistas a caminho do Douro Superior. Passada a Barragem do Pocinho, veio a subida até Moncorvo, a passagem pelas Unidades de alojamento (só para deixar bagagens) e o jantar na Casa de Santa Cruz.
Sábado de manhã foi a expedição até margens do Sabor e o reconhecimento do local onde se irá erguer a futura Barragem. Como estávamos em pleno arranque das festividades da Amendoeira em Flôr, não podíamos faltar à abertura da Feira de Artesanato. O almoço aconteceu no Lagar.
Depois veio um roteiro de (re)descoberta do Centro Histórico de Torre de Moncorvo. Que não esqueceu a Igreja Matriz ou o Museu do Ferro. E a seguir havia horizontes abertos e campos para espreitar até serem horas de jantar no Artur de Carviçais.
A manhã de domingo começou na Quinta Branca, onde estavava aboletada parte da caravana do Passeio de Jornalistas. Para... partirem em direcção ao Miradouro de S. Gregório. Logo mais, a Igreja da Adeganha, o Vale da Vilariça e a Foz do Sabor. O almoço de despedida, como não poderia deixar de ser, teve sabores de peixes de rio.
Claro está, que na área dos vícios de boca e palato, aquele foi um fim de semana sem tréguas. Ninguém se furtou aos queijos, ao mel e (obviamente!) à amêndoa. Porque, se as amendoeiras não servem só para as excursões e as fotografias (e estão a ser desenvolvidos esforços para a recuperação do amendoal), a partidela da amêndoa constituiu sempre uma boa ensejo para arranjar namorado... e as amêndoas cobertas são uma arte de mãos de mulher. Também os vinhos não perderam pela demora: generosos ou de pasto...
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